Olhares Cruzados sobre o Porto VII – Debate (parte 1)

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Na primeira parte do debate que se seguiu à intervenção dos convidados da segunda sessão dos Olhares Cruzados sobre o Porto VII, dedicado ao tema da reabilitação urbana, falou-se bastante de Guimarães como exemplo do que pode (e deve?) ser um processo de reabilitação.

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Duração total: 36:44

Se por um lado Arlindo Cunha considera que o caso de Guimarães não é comparável com o Porto, por outro a arqª Alexandra Gesta que há 25 anos participa nesse processo de reabilitação urbana relembra que Guimarães viveu todos estes anos com o mesmo enquadramento legal e financeiro que o resto do país e aponta como grande diferença, o facto de a cidade ter decidido ter como projecto politico a sua reabilitação. Houve uma vontade politica que, nas suas palavras “não é demagógica”, houve participação da sociedade e permanente discussão entre poder politico e poder técnico.

Outro tema que surge sempre quando se fala em reabilitação urbana é a questão da lei das rendas, no entanto, como referiu José Castro (que estava na plateia), não houve cidade europeia que não tenha aplicado isto na segunda metade do século xx, e, acrescentou João Ferrão, mesmo em Portugal, as cidades onde esta lei não foi aplicada (todas excepto Porto e Lisboa) sofrem do mesmo tipo de problemas em relação à reabilitação do seu centro histórico.

A propósito da desertificação dos centros históricos, Arlindo Cunha referiu ainda o paralelismo que há entre 2 realidades que parecem estar tão opostas como o litoral e o interior, na sua opinião “desertificação rural e desertificação urbana são dois extremos que se tocam”. Considera que este é um problema já de coesão social que tem que ser respondido pelo estado até porque alguma reabilitação não é paga pelo mercado.

Souto Moura deixou ainda a ideia de que “o segredo da manutenção do património é o uso”.
Numa nota mais local, João Ferrão voltou a reiterar a resposta que já tinha dado, quando ainda estava no governo, a propósito de apoios para o projecto do Bairro do Aleixo, ou seja, um processo de demolição não pode ser considerado um projecto de reabilitação, pelo que não pode benefeciar dos apoios fiscais.

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