Inner City – Paulo Morais

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Para Paulo Morais, “falar de politicas urbanas no Porto e em Portugal é um pouco ficção cientifica porque estamos a falar de uma coisa que efectivamente não existe, com algumas excepções.”
Esta foi a principal ideia que deixou na sua intervenção no intervenção no evento Inner City realizado em 17-abril-2009.

Duração total – 17:50
Podem descarregar o programa directamente ou subscrever o podcast.

Começou por referir que “a europa nao tem politicas de nenhum tipo para a cidade, desde o tratado fundacional de Roma até ao tratado de Lisboa, não considera a cidade como realidade politica”. Mesmo nos programas que de alguma forma se aplicam às cidades, “não são os gestores das cidades que conseguem gerir esses programas, mas sim burocratas, no nosso caso que estão em Lisboa ou na CCDR”.

Na sua opinião mesmo os problemas mais operacionais não são resolvidos.
Pergunta “Quantas cidades em portugal têm um sistema de manutenção do espaço publico? e mais, grave que isto, que manutenção do espaço publico fazem?”, ou seja, “mudar o tapete das ruas de 8 em 8 anos, refazer toda a infraestrutura de 30 em 30 anos, tapar os buracos todos os anos, isso custa, nos racios europeus cerca de 50000€/km/ano. E quem é que gasta isso em Portugal? Ninguém”.

Assim, na opinião de Paulo Morais, “é evidente que as pessoas vão para os shoppings porque eles têm hoje as condições de urbanidade que as cidades já não lhes dão, onde há manutenção, onde há limpeza, onde há segurança, onde há parqueamente, etc, onde há vivencialidade urbana”, por isso considera que os pequenos comerciantes que se queixam da abertura de novos shoppings se deveriam dirigir contra as câmaras.

Para além disso há ainda a questao da segurança e salubridade dos edificios. Há edificios a cair nos grandes centros, e outros em risco, incluindo edificios do estado.
Daí que quem tenha a responsabilidade de vistoriar essas situações (como as autarquias) não tenha autoridade moral para o fazer.

Finalmente, mesmo a nível de uma visão mais macro como um PDM poderia ser, considera que esses instrumentos tal como existem não servem o interesse colectivo mas mais os interesses corporativos, até porque, diz, “temos PDMs que quase ninguem compreende, um PDM deveria ser um documento com 3, 4 páginas, [mas] não há nenhum PDM em Portugal com menos de 250 artigos. É evidente que ninguém os compreende – nem percebo como há discussão pública porque não há capacidade para o seu entendimento e percepção do que representam.”

Conclui por isso que não há verdadeiras políticas urbanas em Portugal.

(imagem retirada de http://luisarturpereira.blogspot.com/2009/11/lista-r.html)

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  1. [...] Paulo Morais há cerca de um ano que "é evidente que as pessoas vão para os shoppings porque eles têm hoje as [...]

  2. By A destruição das cidades | Aventar on May 12, 2012 at 15:41

    [...] destruição das cidades Publicado a 05/05/2010 por vitorsilva Dizia Paulo Morais há cerca de um ano que “é evidente que as pessoas vão para os shoppings porque eles têm [...]

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