[00:00] VS – Viva, o meu convidado hoje é Tiago Azevedo Fernandes criador do blog baixa do porto, obrigado por acederes ao convite para esta primeira edição do podcast
[00:07] TAF – é um prazer
[00:08] VS – Vê-se pela blogosfera que há muito quem pense a cidade e as regiões, mas depois quando chega a altura de escolher quem faz parte dos órgãos públicos autárquicos o que vemos é sempre as mesmas pessoas, como é que se consegue fazer uma efectiva transição da sociedade civil para estes cargos que fazem a gestão da coisa pública, ou se calhar antes, achas que é importante essa transição?
[00:28] TAF – a transição vai ser importante e vai ser feita se as pessoas, se a sociedade civil em abstracto estiver realmente interessada em tomar nas suas mãos os seus destinos. O que se passa é que… e principalmente na situação em que Portugal está, em que as pessoas estão preocupadas com coisas aparentemente mais terra a terra e aparentemente mais prioritárias que é a sobrevivência no dia-a-dia, ganhar dinheiro para pagar as contas ao fim do mês, e portanto assim à primeira vista para o cidadão comum se calhar as questões politicas são assim mais uns delírios para gente que está mais bem na vida ou que tem pelo menos uma situação financeira mais estável e que se pode dar ao luxo de perder tempo entre aspas
[01:12] VS – mas é engraçado que, ao contrário, os políticos e algum conjunto de pessoas de grandes empresas dizem que não vale a pena ir para a política porque se perde dinheiro…
[01:23] TAF – porque se perde dinheiro… visto individualmente e no curto prazo isso é um facto, pelo menos para algumas pessoas… já agora um parêntesis quanto a isso… perde-se dinheiro também depende de quem vai para lá, porque a politica tem sido utilizada como trampolim para muita gente que não tem outras capacidades a não ser uma rede pequena de contactos, uma “mafiazinha” entre aspas, que depois vai permitindo fazer a sua subsistência porque consegue contratos e consegue… não estou a falar de corrupção… mas consegue-se meter no meio de onde se geram negócios até perfeitamente legítimos e a política acaba por ser o trampolim de visibilidade… portanto não é para mim assim tão claro que ir para a politica seja assim tão mau… depende é de quem vai, agora, pessoas que têm competência técnica firmada e que tem uma carreira já independente dessas coisas claro que ao dedicarem-se à politica vão perder tempo e perder muito dinheiro, pelo menos no curto prazo e visto individualmente. Mas se virmos as coisas a mais longo prazo e estivermos preocupados com a sustentabilidade da região e do nosso trabalho no ponto de vista de quem se quer manter cá e não quer emigrar ir para a politica, no sentido de dedicar-se às questões politicas, mesmo que não seja de uma forma profissional acaba por ser uma inevitabilidade, porque senão as coisas estão a correr tão mal que daqui a algum tempo não nos resta outra hipótese do que nos dedicarmos a outra coisa qualquer noutro país qualquer. Também me parece que as pessoas têm alguma descrença em relação à politica porque… quando se fala em politica associa-se às tarefas que as pessoas atribuem à administração publica, seja local seja administração central, e o que acontece é que num pais democrático, num estado com limitações relativamente grandes em relação aquilo que pode fazer, seja por questões mesmo constitucionais seja pelos meios que tem à disposição, aquilo que a administração pública pode fazer acaba por não ser muito e os meios que tem não são proporcionais à ambição as pessoas atribuem à missão dos detentores de cargos públicos, e portanto como os resultados são fracos em relação a essas expectativas se calhar exageradas as pessoas acham que a política não tem grande valor e interesse e portanto desanimam um bocado.
continue reading »
Podcast a partir do Porto, sobre a região e ocasionalmente tecnologia
Podcast a partir do Porto, sobre a região e ocasionalmente tecnologia