Inner City – Álvaro Domingues

Nesta apresentação enquadrada no evento Inner City, realizado em 17-abril-2009, Álvaro Domingues, geógrafo, docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto apresenta alguns dos factores que podem ter levado a cidade do Porto e a região norte para uma situação de declinio, nomeadamente a situação de dupla periferia, mas aponta também alguns sectores que estão a revelar algum dinamismo, como a o caso do sector da saúde, e que podem representar oportunidades de desenvolvimento para a região.

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Duração total – 33:48

Algumas notas:

  • porto teve processo terciarização tardio e truncada
  • dupla periferia – país periférico e aglomerado urbano periférico no seu país
  • relação sector do serviços => adm. pública e consumo final
  • tecido industrial pouco interessante na procura de serviços
  • sectores tradicionais => no processo produtivo
  • sectores emergentes => saúde, farmácia, produção software mas corpuscolar
  • ausências notórias => média – produção e divulgação da opinião está centralizadissima como quase tudo
  • provoca amnésia do que é a vida pública da cidade e região
  • pontos positivos: universitario, saúde (investigação), indústria dos serviços saúde; logistica (rede viaria, leixoes, aeroporto)
  • fixadora de mão de obra muito qualificada
  • estes sectores não são portocentricos
  • rede infraestutural como efeito disseminador
  • turismo => sector normalmente com boa performance na globalização
  • sobre massifica / sobre especializa
  • falta experiência a promover
  • cruzeiros? tentar atrair as rotas dos eua, mas tem a competição de vigo
  • dificl montar estratégia para vender turismo
  • podia ter sido turismo congressos… concorrência algarve
  • potencial da produção cultural => desproporção positiva (dimensão da cidade vs imagem que projecta)
  • cruzamentos entre sectores – ex: saude + turismo
  • combinações virtuosas => por exemplo na saúde coimbra – porto
  • mas a quem vamos vender isso?
  • qual o potencial norte portugal / galiza? não há grandes dados
  • anda ao sabor do voluntarismo
  • se não há actores, as coisas acabam por se desfazer
  • economia centrípeta / rarefeita
  • cidades nó de autoestrada
  • 3 fases de internacionalização no passado: rota flandres – liga hanseatica; inglaterra; brasil
  • agora em que geografia da internacionalização estamos?

Inner City – Teresa Lago

Nesta apresentação enquadrada no evento Inner City, realizado em 17-abril-2009, Teresa Lago, Astrofisica, fundadora do Centro de Astrofisica da Universidade do Porto e responsável da capital europeia da cultura de 2001, revê toda a Experiência da Porto 2001, desde a sua criação até à cessação de actividades apresentando a sua visão critica que inclui, o que considera que correu bem nomeadamente a autonomia e duração contida do projecto e o que se pode aprender do que correu menos bem, como o irrealismo nas definições dos objectivos iniciais;

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Duração total – 28:14

Algumas notas:

Experiência da Porto 2001

  • – factos:
  • orçamento 3 anos 1999/2000/2001/jun 2002
  • inicio 183,5M€ e foi aumentado em 23% para 226M€
  • orçamento executado com um défice de 4%
  • dificuldades com atrasos de transferências, pagamento iva com o mecenato que não estava previsto
  • * 1/3 construção, reabilitação infraestruturas culturais
  • casa da musica 55M€; mnsr 9%; teca 6,9ME; CPF 4M€; sbento vitória 2.6M€; casa da animação 1.6M€; 50% BMAG 4M€; partes do coliseu 1,5M€
  • * >13% programação cultural, quase 30M€
  • 2000 eventos >1M espectadores
  • * renovação espaço público
  • houve intervenção sobre uma área de 126km2
  • intervenções em 35 ruas e praças
  • * revitalização económica da baixa => apesar de muitos esforços essa componente foi inquinada por politiquisse
  • – opinião pessoal / subjectiva
  • em que outros 30 meses houve no porto uma tal revolução?
  • quando é que o porto teve outro investimento com esta dimensão?
  • 226M€ => 2,4% orçamento camarário; >6% mecenato directo => giving back
  • quando voltará o porto a sentir um tal envolvimento e mobilização. ou a ser notícia e ter a visibilidade que teve durante a porto 2001
  • cerca 21 mil artigos jornais, >3mil tv, web 11.3M hits
  • o que não estava feito em 30-jun 2002: casa da musica, teca, funicular guindais
  • – visão crítica
  • o que correu bem: ambição projecto; pôs os arquitectos a pensar a cidade; renovação equipamentos culturais; renovação ruas / espaços públicos com foco na perspectiva dos utilizadores; abertura à discussão pública regular dessas intervenções; qualidade e empenhamento de equipa relativamente pequena; mobilização do público; visibilidade acrescida que a cidade teve; afirmação do porto como uma cidade europeia; o que se coonseguir concretizar num tempo curto – 42 meses entre decreto lei inicial e data encerramento.
  • a repetir: pretexo – criação da oportunidade; modelo projecto: autonomia e duração contida; estrutura e tipo de governo da soc.2001 – construida para ser um complemento e estar em consonancia com a camara, mas com autonomia suficiente para ser independente de questões eleitorais; autoridade / autonomia / responsabilidade; foco na cidade como local apetecivel para viver nas suas diferentes utilizações / facetas / utilizações
  • experiências criticas
  • – irrealismo nas definições dos objectivos iniciais; insegurança e indeterminação dos financiamentos; atrasos nas transferências financeiras porque envenenam e condicionam a execução; desadequação entre prazos e objectivos; politização de um projecto
  • recomendações
  • – criar novos pretextos para intervenções de fundo bem pensados com timings bem definidos

Inner City – João Teixeira Lopes

Nesta apresentação enquadrada no evento Inner City, realizado em 17-abril-2009, João Teixeira Lopes, sociólogo, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, percorre as diferentes gerações de pensamento do urbanismo e como ele se refletiu na cidade do Porto frisando ser necessário fazer do Porto um lugar do mundo mas em que todos estão nesse mundo.

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Duração total – 16:10

Algumas Notas:

  • pouco contacto entre faculdades
  • sociabilidades urbanas
  • – portas – fecham
  • – pontes – unem
  • 3 gerações urbanismo
  • 1º racionalimo – boulevards para evitar as barricadas das classes perigosas
  • toda a cidade seria o espaço público – brasilia
  • fez-se tabua rasua de muita memória / identidade
  • urbano cada vez mais um sistema de redes
  • não podemos viver numa sociedade arquipélago
  • é possivel haver mais do que as ilhas / shopping
  • 2º contextualismo – reinventar a tradição. ex: adro sé
  • tradição inventada
  • 3º marketing urbano
  • desaparece quem não tem relevância estratégica
  • não se fala dos que ficam fora da cidade
  • patriotismo de cidade – tentar chamar as pessoas para uma identidade que deve ser contruida pela diferença e não pelo fechamento
  • planeamento estratégico => gentrificação => sru
  • algum captial quer conquistar certas partes da cidade
  • a cidade empresa deve ter a locomotiva cultural à frente
  • necessidade de teatro municipal
  • la feria poderia estar na cidade. faz sentido mas não ali
  • serviços educativos => trabalho na comunidade
  • presidencialismo municipal – excessiva concentração de poderes numa pessoa
  • porto pode ter serviços qualificados geradores de inclusão
  • clsuter multimedia
  • plataformas digitais mas incluindo população
  • politecnico, universidade católica, media park
  • sobre a cinemateca no porto
  • cultura parece inutil
  • fazer do porto um lugar do mundo mas em que todos estão nesse mundo
  • dualização social é prioridade
  • não há rede sem amarração, não há rede sem nó

Inner City – Francisco Barata

Nesta apresentação enquadrada no evento inner city, realizado em 17-abril-2009, Francisco Barata, arquitecto, presidente do conselho directivo da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, refere que a associação metropolitana do porto ainda não passa de um slogan, que falta ao porto criar relações com as cidades adjacentes e alerta ainda para o risco que é passar directamente do discurso teórico que tem como referência cidades como méxico ou nova iorque para a realidade do Porto.

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Duração total –  17:28

Algumas notas:

  • por um território urbano… contra quem?
  • amp vs porto
  • compete à cidade do porto estruturar-se
  • discurso dos novos desafios e como os implementar
  • amp ainda não passou do slogan
  • ainda diferença porto / gaia / matosinhos
  • visão mais abrangente só mesmo no discurso e teses académicas
  • se não tivermos um espaço urbano hierarquizado, organizado não temos condições para defender um sistema / malha
  • falta ao porto criar relações com cidades adjacentes
  • porto devia lutar pela ligação que não foi feita no sec. xx que é uma ponte à cota baixa no enfiamento da rua d. pedro v para fechar circuito entre as duas marginais
  • o que é mais forte é a relação porto / lisboa
  • falta política reabilitação areas periféricos / bairros camarários
  • potencialidade de criar malha urbana de “ponte” com a periferia
  • novo centro do porto – boavista?
  • não confundir uma recta com uma centralidade
  • necessário alargar visão aleixo / j. diniz
  • não passar de discurso teórico que tem como referencia cidades como méxico, nova iorque, bogotá, tóquio, e trazê-los para o porto => 300.000 – 3.000.000 no mínimo
  • não há dinheiro? “sec xix fizeram-se 2 pontes com uma diferença de dez anos, depois de uma guerra civil, agora com a ue a descarregar paletes de euros em portugal, não temos dinheiro…”

Inner City – Elisa Ferreira

Nesta apresentação enquadrada no evento Inner City, realizado em 17-abril-2009, Elisa Ferreira, economista, docente da Faculdade de Economia do Porto e eurodeputada expõe o que acha que é a cidade, como os factores que actualmente geram riqueza se desmaterializaram, e como a cidade do Porto pode ultrapassar esses desafios através da sua marca.

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Duração total – 19:03

Alguns destaques:

  • falar do que acha que é a cidade
  • não está contente com o estado em que a cidade está
  • cidade tem um papel mais importante do que tem actualmente
  • mundo das cidades mais do que países / regiões
  • tempo / espaço reduziu
  • é necessário encontrar os nós, os pontos que fazem a amarração de tudo isto que está a acontecer
  • factores que fazem riqueza desmaterializaram-se
  • indústrias criativas => cliché?
  • necessidade de ouvir o que os cidadãos querem dizer
  • não há grandes iluminados, muito menos na política
  • há grande capacidade de gerar energia e é importante apanhar esses contributos
  • é importante que sejam as forças vivas da cidade a redinamizar a cidade
  • cidade actual está fechada sobre si própria
  • tem que ser espaço que estrutura a diferença
  • há incapacidade em nos ouvirmos uns aos outros
  • necessidade de cidade dinâmica
  • cidades têm que funcionar em rede
  • tem que saber aquilo que tem para se relançar
  • porto tem marcas
  • porto tem imagem colectiva
  • actualmente estamos fora do tempo, estamos fechados
  • vinho do porto, futebol, escola arquitectura, saúde
  • vários vectores que se podem articular
  • problemas de esquizofrenia da cidade
  • cidade deixou-se desagregar
  • condomínios fechados => espaços exclusão social
  • a cidade tem que ser feita de diferenças
  • guetos elitistas e guetos de exclusão
  • solidariedade vs inclusão

Inner City – Joana Nascimento

Nesta apresentação enquadrada no evento Inner City, realizado em 17-abril-2009, Joana Nascimento, artista plástica, reflete sobre o que se pode fazer para despoletar novos usos para a cidade e como passar dos discursos para a prática.

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duração total – 05:03

Alguns destaques:

  • cidade mais do que património construído
  • trabalho multidisciplinar
  • passar do discurso para a prática
  • contributo da arte? podemos pedir aos artistas mais do que esculturas
  • estabelecer práticas colaborativas na reformulação da cidade
  • património construído / social / imaginário
  • o que se quer fazer é algo que não passa num postal
  • como é que se pode despoletar novos usos da cidade.

Maria José Morgado – Urbanismo Ilegal: Uma Justiça Impossível #2

Neste programa continuamos a retransmitir a gravação que fizemos no dia 30 de maio de 2009, na Universidade Lusófona do Porto, da intervenção da dra. maria josé morgado, intitulada Urbanismo Ilegal: uma justiça impossível.

Na segunda e última parte deste programa, temos a sessão de perguntas e respostas que se seguiu à sua intervenção inicial, por razões técnicas não conseguimos incluir o som das perguntas feitas pela asistência pelo que apresentamos só as respostas dadas.

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alguns destaques:

  • 05:15 – temos ferramentas do tempo da idade da pedra, não temos bases de dados, não trabalhamos em rede, e portanto não temos acesso à informação que permita detectar os fenómenos e agir com proactividade, com audácia, e não esperar que as comadres se zanguem para se ter conhecimento às vezes dos problemas.
  • 07:40 – o conselho de prevenção para a corrupção (…) a meu ver tem uma insuficiência, eles têm-se esforçado por fazer um levantamento e um balanço das actividades de risco potenciadoras do fenómeno corruptivo, mas a meu ver é um organismo demasiadamente fechado, demasiadamente separado da investigação criminal e que não se traduzirá numa detecção e num desenvolvimento de actuação robustecida das autoridades criminais
  • 08:50 – enquanto um traficante de droga sabe que se for apanhado com vários quilos de droga ou até com várias gramas corre um risco sério de ser condenado, aqueles que se dedicam a actividades corruptivas no sentido amplo do termo não sentem que correm qualquer risco.
  • 16:05 – o que é que a sociedade civil pode fazer? eu vou dizer isto numa palavra que pode parecer brutal, mas é, denunciar, denunciar, denunciar, e as pessoas não se deixarem impressionar com as exigências de concretize, diga nomes, prove, provar é no tribunal, provar é no tribunal, instrução dos processos e recolha de prova é no tribunal, as denúnicas as pessoas podem e devem fazê-las caracterizando os fenómenos, não é ofender o bom nome de ninguém mas é caracterizar os fenómenos. Aliás nós vivemos no maravilhoso mundo da presunção de inocência, a presunção de inocência é só, só, tão só uma regra de apreciação das provas para os senhores juízes utilizarem quando estão a decidir um caso ou seja quando alguém é presente em julgamento só pode ser condenado se os factos se provarem para além de toda e qualquer dúvida e é isso que se chama a presunção de inocência, mas a presunção de inocência não serve para eu ser desonesto e me manter no lugar e não permitir que ninguém me critique ou não permitir que a opinião pública se indigne com o resultado da minha actuação. a presunção de inocência é uma regra técnica, é uma regra de apreciação de provas, não é uma regra de substituição da ética e da honestidade dos cargos públicos, e portanto quando eu digo denunciar, denunciar, denunciar, é denúnciar a desonestidade, a falta de decência no desempenho dos cargos, isso as pessoas têm direito a denunciar e não são obrigadas a apresentar provas
  • 28:25 – não era possível em portugal um caso como o maddoff não era possivel com o nosso sistema penal, não era possivel pura e simplesmente porque o nosso código de processo penal não prevê aquela modalidade de condenação, no sistema americano o ministério público recolhe as provas sem intervenção nenhuma do acusado, ou com uma escassa intervenção, enquanto que por exemplo no sistema português o ministério público enquanto recolhe as provas tem que as comunicar ao arguido, tem que comunicar os factos, os meios de prova, e permitir o contraditório, ainda antes da acusação, o que torna logo o processo extraordinariamente moroso, mas portanto, no sistema americano o ministerio publico recolhe as provas, organiza os dossiers e apresenta-os ao acusado, e então o acusado depois escolhe, se quer confessar a culpa, negoceia a culpa, têm um sistema que é uma espécie de negociação da culpa precisamente porque o ministério público em vez de apresentar a pessoa a julgamento, combina, negoceia de facto com a pessoa como é que ela… que tipo de condenação ou de sanção ela aceita… para o ministério público isto facilita porque evita desastres em julgamento ou decisões menos concentâneas com aquilo que é previsivel, (…) se não negoceia à julgamento imediato com fluidez com apresentação dos dossiers e decisão pelo juri. Nós não, nós temos uma fase de recolha de prova extraordinariamente ritualizada em que tudo tem que ser comunicado, tudo tem que ser debatido ainda antes de ser dada acusação, portanto estasse a debater uma coisa que ainda nem sabe o que é que é… tudo isto com prazos máximos, se houver presos pode ir até um ano, mas se não houver prazos pode ultrapassar o prazo de um ano, depois disso, se houver provas, se o ministerio publico conseguir reunir as provas suficientes com toda a exigência legal a nivel de provas, é formulada uma acusação, perante a acusação os arguidos podem ainda requerer instruçaão, o processo não vai imediatamente para julgamento, portanto aquilo que foi discutido em inquérito volta a ser discutido em instrução, depois o juiz de instrução decide se pronuncia ou não se pronuncia ou seja se confirma ou não confirma a dedução de acusação pelo ministério publico, no caso de não confirmar é mais outra entidade a interpretar as provas, no caso de confirmar o caso vai para julgamento, qualquer processo que tenha mais de dez arguidos podem ser anos em julgamento, porque cada arguido tem direito a contraditar os factos até ao milimetro, a recorrer de todas as decisões do juiz de julgamento interlocutórias, não a decisão final e depois se ao fim de isto tudo ainda houver condenação ainda há recurso em duas instâncias e depois ainda há recurso para o tribunal constitucional.

Maria José Morgado – Urbanismo Ilegal: Uma Justiça Impossível #1

Primeira parte da gravação efectuada no dia 30-maio-2009 da intervenção da Dra. Maria José Morgado na Universidade Lusófona do Porto chamada Urbanismo Ilegal: Uma Justiça Impossível.

Nesta primeira parte apresentamos a sua intervenção inicial que foca o enquadramento legal aplicável às questões do urbanismo e explica porque razão estes lhe parecem insuficientes apresentando como proposta de melhoria o exemplo espanhol.

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Alguns destaques:

  • 03:45 – “a politica de utilização dos solos em portugal, a política do ordenamento do território, do ordenamento e gestao do território, a maneira como o solo é utilizado tem sofrido uma permanente desprotecção a todos os niveis, em todos os planos, no plano administrativo, da transparência, do controlo, da fiscalização, da aplicação dos principios de gestão e ordenamento do território, quer no plano da justiça penal.”
  • 04:30 – “em termos de justiça penal, eu pessoalmente considero, é uma opinião, e temos sentido isso na equipa especial da provedoria geral que tem tido por objecto a investigação dos factos resultantes à sindicância à câmara municipal de lisboa, sem querer arranjar desculpas fáceis, mas pessoalmente considero que estamos numa área de impunidade total, por razões várias, primeiro não temos uma previsão penal que criminalize as condutas censuráveis, as irregularidades e as enormidades que se praticam no âmbito do urbanismo, quer ao nível da decisão da administração pública central, quer ao nível da administração local, quer ao nível das decisões dos detentores de cargos políticos. Essa ausência, omissão, de incriminação, que se tem mantido ao longo de todas as reformas penais tem também originado fenómenos de impunidade que tem, creio eu, aumentado a descrença na actividade da justiça, por falta de especialização, por dificuldade em detectar os fenómenos, por desconhecimento completo… estamos numa área que é uma espécie de buraco negro da democracia, em que tudo acontece e não há… tudo acontece do ponto de vista de situações graves e em que não há consequências”
  • 06:15 – exposição da legislação / instrumentos de gestão territorial
  • 09:30 – instrumentos de gestão municipal – pdm – estabelece a estrutura espacial e a classificação basica do solo rural e urbano bem como os prarametros de ocupação considerando a implantação dos equipamentos sociais do solo; planos de urbanização – estabelece qualidficação do solo urbano; planos de pormenor – definir com detalhe o uso do solo urbano
  • 10:00 – tramitação processual
  • 15:45 – “isto [compra de terrenos por 10, venda por 10 mil] é uma prática que se tem vulgarizado, banalizado, por todo o país e relativamente à qual não temos conseguido dar a resposta devida em sede de censura penal. porquê? porque para haver integração desta conduta no crime de corrupção o ministerio publico tem que provar que alguem no exercicio das suas funções publicas recebeu uma contrapartida para dar aquela informação ou para aprovar aquela autorização ou licenciamento, a autorização de edificação, porque esse é que é o “milagre”    que é num terreno rural passar a ser autorizada a construção de lotes, porque isso é que rende, a corrupção é impossivel de provar ainda que ela tenha ocorrido como muitas vezes se fala, mas em termos de prova válida não é possivel.”
  • 17:00 – “a participação económica em negócio também tem exigências que normalmente não se preenchem, porque tem que se provar a vantagem obtida por parte de um dirigente municipal ou titular de cargo politico local que autorizou por exemplo o licenciamento e as coisas não têm relação directa muitas vezes, porque as relações que se estabelecem são de negócios sucessivos porventura e deslizantes, viscosos, mas que não preenchem estes tipos penais, o tráfico de influências tem os mesmos problemas inerentes à corrupção e sobra-nos de forma residual o crime de abuso de poder em que também a vida não é fácil para quem trabalho na área penal na medida em que o abuso de poder exige além de se provar a violação dos deveres funcionais e a violação do dever funcional de prosseguir o interesse público tendo-se prosseguido o interesse particular do promotor imobiliário por hipótese mas exige que isso tenha sido feito com a intenção de beneficiar alguém ou prejudicar também alguém, e essa intenção como elemento subjectivo depende de prova pessoal, documental, da conjugação de provas em relação às quais os tribunais são sempre muito exigentes e os processos acabam sempre por ser arquivados ou em casos de seguir para julgamento serem absolvidos por falta de elementos de prova em relação ao tipo de crime.”
  • 20:15 – “na edificação a aprovação das operações urbanisticas resulta da aplicação de um verdadeiro emaranhado da legislação, a legislação é perfeitamente confusa e permite toda a especie de critérios, a sensação que dá é que não há critérios objectivos sindicáveis” (…) “o emaranhado da legislação permite que todas estas operações por mais obscuras e danosas que sejam, por mais injustas e por mais que representem um assalto ao interesse publico, o emaranhado legislativo permite a sua apresentação sobre um manto de legalidade e uma aparência de justificação” (…) “o emaranhado de legislação confere poder e garante aos técnicos responsáveis uma posição de domínio sobre os munícipes, construtores e promotores”
  • 24:00 – “a fiscalização é uma área por excelência de ocorrência daquilo que em giria policial se chama corruptela ou seja as luvas que são pagas pontualmente ao fiscal para fechar os olhos para a obra não parar e ser aplicada a coima, para não serem denunciadas as desconformidades. e então aí estamos num mundo inteiramente opaco e incontrolado. Muitas vezes torna-se mais rentável ao prevaricador dar qualquer coisa ao fiscal do que a obra ser embargada e ser alvo de uma coima.”
  • 26:15 – “o pior de tudo é encontrarmos situações graves [de aprovações] que foram submetidas a aprovação por assembleia municipal com pressupostos errados mas aparentemente legais e então temos decisões que na realidade são ilegais, são graves, mas que nos aparecem aprovadas de forma colegial o que inviabiliza completamente qualquer censura legal”
  • 27:35 – “[licenciamento] temos um sistema complexo, ineficiente, com tendência para associação à concessão de favores e corrupção de forma incontrolável, o licenciamento de um imóvel envolve no minimo 3000 requisitos e não sei quantos anos para quem não esteja disposto a pagar por baixo da mesa, em geral, infelizmente é assim. o regime de licenciamento urbano é apelidade de complicómetro pela Ordem dos Engenheiros.”
  • 28:30 – “ao nivel da prevenção está tudo por fazer nesta área”
  • 29:10 – “o acesso à informação sobre os pdms, o uso da gestão territorial transformou-se nos últimos quinze ou vinte anos em Portugal numa área de enriquecimento ilicio incontrolável”
  • 30:00 – sobre o site da igaop => é muito pouco o que se encontra lá
  • 30:30 – sobre a relação entre diferentes tribunais – “contêm essas decisões [de tribunais administrativos], tanto quanto me pude aperceber ao longo dos anos, contêm elementos factuais de responsabilização penal em relação aos intervenientes, mas dada a nossa forma estanque de trabalhar, ou seja os magistrados do ministério público da área penal não têm contacto com o ministério publico da área administrativa e nem sequer trabalhamos em rede, acabamos por não saber uns dos outros, acabamos por perder toda essa informação que seria preciosa para conhecer aquilo que se passa na área de gestão e ordenamento do território”
  • 31:45 – “a última reforma penal de 2007 foi abrangente, foi muito abrangente, foi muito ambiciosa e eu pergunto-me porque é que ninguém deu atenção à protecção penal dos interesses públicos no ordenamento e gestão do território.”
  • 33:45 – exemplo espanhol – “o sistema espanhol, até porque, espanha sentiu os mesmo problemas que portugal, em 1992 (se não me engano) avançaram para a criminalização das formas mais graves de lesão dos principios de ordenamento e gestão do território, criaram… no código penal mesmo, não foi em legislação extravagante ao código penal, criaram o artigo 319 no CP Espanhol (…) o crime de construção não autorizada (…) em que se prevê a responsabilidade dos promotores imobiliários, dos construtores, dos técnicos (arquitectos, decisores camarários, onde quer que eles se encontrem) e directores dos serviços administrativos, a construção não autorizada em solo não urbanizável é crime, nós não temos nenhuma previsão de crime, ou conseguimos provar o abuso de poder em situações de construção não autorizada em solo não urbanizável ou provamos abuso de poder, já não estou a falar em corrupção ou tráfico de influências porque aí subitamente abate-se sempre um nevoeiro probatório sobre todos os factos, … não temos nada que … construção não autorizada em solo não urbanizável … pode haver decisões administrativas por ilegalidades várias, que se arrastam e se obtêm após muitos anos se o ministério público for proactivo… quando eu digo muitos anos é dez anos, mais do que isso.”
  • 35:00 – “crimes contra o ordenamento do território, ainda na legislação espanhola, está prevista a responsabilidade penal pela aprovação de projectos de edificaçao ou de licenciamento (…) contrários às normas urbanisticas vigentes, com concessão de licenças camarárias, responsabilidade pelas decisões colegiais em assembleia camarária, isso está previsto, ou seja, desde que a assembleia camarária tenha conhecimento ou tenha obrigação de ter conhecimento pelo processo que é apresentado, que a decisão é contrária às regras, envolve responsabilidade de todos aqueles que votam e participam na decisão, e há agravamento da responsabilidade penal quando está em causa um espaço natural protegido”

Conversa com Pedro Morgado – podcast

Na edição 6 do podcast O Porto em Conversa falei com Pedro Morgado do blog Avenida Central.

Começamos por falar de algumas grandes ideias associadas a Braga como a sua relação com a Igreja e as possíveis explicações para o longo “reinado” de Mesquita Machado.

Seguimos depois para alguns problemas e questões que se debatem na cidade nomeadamente a reabilitação urbana, desertificação do seu centro, questões de mobilidade entre outros e como Guimarães pode ser um exemplo nomeadamente na questão da recuperação do seu centro histórico.

E naturalmente falamos das relações entre as diferentes cidades do Minho, nomeadamente através do “Quadrilátero Urbano” (Braga, Guimarães, Famalicão, Barcelos), do Turismo como grande indutor de desenvolvimento e como o “portocentrismo” ainda se faz sentir em algumas decisões.

Aqui ficam algumas notas:

  • 00:50 – sobre o blog avenida central
  • 04:10 – a influencia da igreja em braga. “na cidade de braga a orientação de voto da igreja para o referendo ao aborto não foi seguida” (…) “há uma marca permanente da igreja na vivência cidade mas tenho algumas duvidas que essa marca consiga mobilizar tantas pessoas como no passado”
  • 06:20 – sobre a multiplicação de mandatos de mesquita machado. “também me causa alguma perplexidade. como é que é possivel uma cidade com tanta gente boa e com tanta gente competente não ter encontrado novas soluções que permitam a necessária renovação.”.
  • 08:00 – “nos últimos actos eleitorais a renovação tem sido sempre vitoriosa na cidade e perde nas freguesias limitrofes.”
  • 09:00 – relação urbano / rural
  • 10:00 – o que se discute em braga? “falta de planeamento urbanistico”. “braga tem défice de espaços verdes” (…) “e isso traduz-se na diminiução da qualidade de vida”.
  • 11:00 – os transportes – “braga é uma cidade pensada para o uso do transporte individual privado”. “não tem uma rede aceitavel de transportes urbanos”
  • 14:00 – reabilitação urbana. “o exemplo de guimarães devia ter sido seguido na nossa cidade [braga]”
  • 14:45 – “não há pessoas no centro de braga”
  • 18:20 – sobre a comboiosXXI e a ligação braga-porto em comboio.
  • 21:00 – sobre a ligação metro trofa-porto
  • 22:20 – porque não criar uma rede de caminhos de ferros entre barcelos braga guimarães
  • 23:20 – “os comboios urbanos do norte são exclusivamente para transportar pessoas de e para o porto. à parte disto não há transporte urbano ferroviario no norte.”
  • 24:30 – sobre a crise
  • 26:00 – “a região não foi capaz de absorver toda esta massa crítica que saiu das universidades”
  • 26:30 – sobre as portagens, as scuts e as subvenções aos transportes públicos no porto e lisboa
  • 29:00 – falta relevância politica [ao minho], o minho não é tido em conta nas decisões.
  • 29:40 – “imagem messiânica do actual presidente da câmara [do porto]”
  • 31:00 – relação entre as diferentes cidades
  • 33:30 – “[braga] é uma cidade menos habituada a falar sobre os assuntos e a refletir sobre os assuntos e a ter opinião sobre os assuntos, (…) há um défice de discussão e de planeamento e de reflexão na cidade de braga”
  • 35:00 – exemplo de guimarães sobre a reabilitação da praça do toural
  • 36:25 – sobre o quadrilátero urbano
  • 37:35 – “não há nenhum motivo para a programação cultural destas quatro cidades [braga, guimarães, barcelos, famalicão] que é de excelência, ser feita numa lógica concorrencial, ele deve ser feita numa lógica integrada”
  • 38:30 – sobre guimarães capital europeia da cultura
  • 40:00 – turismo. “guimarães apostou muito e bem”
  • 42:00 – a relação viana – braga
  • 44:30 – sobre a regionalização
  • 45:40 – “a AMP tem muito menos a ver com o norte que todo o resto do norte”
  • 46:30 – portocentrismo
  • 49:30 – turismo no norte
  • 50:50 – “a proposta que anda sempre no ar de fazer do minho uma espécie de turismo fast-food que as pessoas consomem rapidamente e a custo baixo enquanto estão no porto a fazer os seus investimentos não serve. é uma proposta que não serve ao minho.”
  • 51:40 – “o minho precisa de produzir alguma coisa para vender (…), o minho tem cérebros e tem turismo”

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Conversa com Catarina Martins – podcast

Nesta edição do podcast O Porto em Conversa falei com Catarina Martins da companhia de teatro (e não só) Visões Úteis.

A conversa foi naturalmente sobre cultura, desde a relação do público com a arte contemporânea à importância dos teatros municipais (e a questão portuense do Rivoli).
Falamos ainda de alguns projectos como o Coma Profundo (que está disponível em podcast para qualquer pessoa no site da companhia) e outros similares (“Errare, Parma; “Os ossos de que é feita a pedra“, Santiago de Compostela) que podem também servir de valência turística para a cidade.
E naturalmente os custos da cultura…

00:35 – visões úteis uma companhia criada no porto por pessoas (quase) todas fora do porto. “decidimos conscientemente que queriamos vir fazer teatro para o porto, achamos que isso tinha sentido, para nós tinha sentido a ideia de uma segunda cidade do país, um segundo centro”

02:15 – teatro contemporâneo feito como era feito à 50 anos atrás? “tudo muda e a forma como se chega à informação tem mudado muito nos ultimos anos, a forma mais dificil de o publico fruir teatro é na relação convencional, exige uma atenção e um tipo de conhecimento da convenção teatral que é muito complicada hoje em dia a muitas pessoas.”

04:00 “há muitas convenções em portugal sobre o que é acessível e o que não é acessível e que não corresponde [totalmente à realidade]” => falta de acessibilidade ou falta de meios para publicitar o que é feito?

04:52 “num centro urbano é muito mais dificil chegarmos às pessoas que não costumam usufruir da arte porque não temos os meios de promoção para lhes conseguir chegar”

05:00 audiowalks – “coma profundo”, foz porto; “errare,” parma; “ossos de que é feita a pedra”, santiago compostela

10:00 “porto oferece cada vez menos condições de trabalho para os artistas”. “não há condições de produção”

11:30 necessário espaços com relações com públicos

14:15 necessidade de um teatro municipal: “um teatro municipal é a ligação entre a população de uma cidade e a arte”

18:00 sobre o rivoli

18.40 ligação à comunidade

20:10 públicos: crianças <=> adultos. “tem de haver uma forma de por a crianças que estão integradas nestes programas [acções do serviços educativos de algumas instituições] a levar esta informação para casa”

21:00 custos económicos da cultura, financiamentos, …

22:00 de onde vem o dinheiro para a cultura… de todos nós. “[sendo financiados por uma fundação privada galega alguns poderiam dizer que não recebemos subsídios] isso é mentira, quem pagou o nosso trabalho foram os contribuintes galegos, os contribuintes europeus, …”

23:00 “normalmente todo o dinheiro que há para a arte… para a ciência… acaba por vir de dinheiros públicos”

23:50 “a pergunta não é de onde vem o dinheiro, o dinheiro vem dos impostos de nós todos, a pergunta é para onde vai o dinheiro que sai dos nossos impostos, se vai para onde deve ir.”

25:00 qualidade (técnica) dos espectáculos

26:00 “programas [de apoio] existem não para apoiar um produto mas para assegurar a pluralidade”

28:00 impacto da economia na cultura

29:00 “as pedras são sempre as mesmas o que se passa à volta das pedras é que vai mudando e vai chamando as pessoas mais do que uma vez, as industrias criativas desenvolvem-se ou não porque os próprios profissionais que trabalham nas industrias criativas mesmo que eles não sejam artistas ou não tenham vocação artistica alimentam a sua capacidade de ver as coisas de forma diferente pelo meio em que estão inseridos e pelo dinamismo criativo que esse meio possa ter ou não”.

31:00 apoio a primeiras obras

32:30 é possível haver cultura sem estado ou com menos estado?

33:30 rivoli outra vez

34:00 teatro municipal vs teatro em propriedade do municipio

35:30 investimentos nacionais e como se refletem na responsabilidade que os locais que os recebem adquirem

38:00 aposta nas grandes instituições culturais. “acho que as grandes instituições têm que acordar muito para a cidade e têm que perceber que a sua projecção internacional tem tão mais sentido quão mais profunda for a sua implantação local” (…)

39:00 “por outro lado as grandes instituições também tinham direito de o ser, sem mais nada, sem também que assumir o papel das médias que não existem”

40:00 projectar o teatro do porto no resto do país

41:00 “taxa que a câmara do porto cobra pelo transporte [de cenários de companhias do porto para outros locais] é duas vezes superior ao preço de mercado”

43:30 apoio à cultura ou apoio aos bairros… um exemplo concreto.

44:30 arte e turismo. objectos artisticos como valência turística.

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